Conclusão
I
Quem conhece o magnetismo terrestre apenas pelo brinquedo dos patinhos imantados, que se movem numa bacia sob a ação de um ímã, dificilmente imagina que ali esteja um dos princípios que regem o movimento dos mundos. O mesmo acontece com quem vê o Espiritismo apenas como o curioso fenômeno das mesas girantes, reduzindo-o a um passatempo sem importância, incapaz de perceber que esse fato simples, conhecido desde a Antiguidade e até por povos considerados primitivos, se conecta às questões mais profundas da moral e do futuro social.
Para o observador apressado, que relação poderia haver entre uma mesa que se move e o destino da humanidade? No entanto, basta lembrar que de uma simples panela fervendo, cuja tampa se erguia repetidamente, nasceu o motor a vapor, que revolucionou o mundo, encurtou distâncias e transformou a civilização. Assim também, dessa mesa que gira e provoca risos irônicos, surgiu uma ciência inteira e a chave de problemas que nenhuma filosofia havia conseguido resolver.
Por isso, apelamos aos críticos de boa-fé: estudaram realmente aquilo que criticam? A crítica só tem valor quando parte do conhecimento. Zombar do que não se conhece não é criticar, é superficialidade. Se essa filosofia tivesse sido apresentada como obra de um pensador humano, talvez tivesse recebido exame respeitoso. Mas como se afirma que vem dos Espíritos, é descartada de imediato. Julga-se pelo rótulo, como o macaco da fábula julgava a noz pela casca. Façam abstração da origem, supondo que este livro fosse obra humana, e perguntem-se, com honestidade: há nele algo que mereça desprezo?
II
O Espiritismo é o mais forte antagonista do materialismo. Não causa surpresa, portanto, que seja combatido pelos materialistas, embora muitos deles evitem assumir esse nome, preferindo esconder-se sob o discurso da razão e da ciência. Curiosamente, alguns chegam a invocar a religião, que compreendem ainda menos que o próprio Espiritismo.
O ataque costuma mirar o maravilhoso e o sobrenatural. Condenando-os sem distinção, condenam também a religião, que se funda na revelação e nos milagres. O Espiritismo, porém, não se apoia no sobrenatural, mas em leis naturais ainda pouco compreendidas. Os fenômenos espíritas apenas parecem sobrenaturais porque são novos ou desconhecidos, assim como muitos fenômenos científicos pareceram absurdos antes de serem explicados.
Nada no Espiritismo escapa às leis da natureza. Ele revela uma força natural até então ignorada, mas perfeitamente integrada à ordem universal. Nesse sentido, apoia-se menos no maravilhoso do que a própria religião tradicional. Quem o combate por esse ângulo demonstra não conhecê-lo. Mesmo grandes cientistas, se ignoram que o domínio da natureza é infinito, são apenas cientistas pela metade.
III
Vocês dizem que querem curar o século de uma suposta mania que ameaça se espalhar pelo mundo. Mas prefeririam que ele fosse dominado pela negação de qualquer fé no futuro, que vocês mesmos ajudam a propagar? De onde vêm o enfraquecimento dos laços familiares e grande parte das desordens que corroem a sociedade, senão da falta de uma crença real em algo além da vida material?
Ao demonstrar a existência e a imortalidade da alma, o Espiritismo reacende a confiança no futuro, fortalece quem está abatido e ajuda a enfrentar as dificuldades com mais equilíbrio. Ele dá sentido às provas da vida. Vocês chamariam isso de mal?
Duas visões se confrontam: uma afirma que não existe futuro; a outra mostra que ele existe e o explica. Uma não esclarece nada; a outra responde às grandes perguntas e dialoga com a razão. Uma acaba reforçando o egoísmo; a outra sustenta a justiça, a caridade e o amor ao próximo. A primeira prende o homem apenas ao presente e elimina qualquer esperança; a segunda consola e amplia o horizonte. Qual delas é realmente prejudicial?
Alguns, mesmo entre os mais céticos, falam em fraternidade e progresso. Mas fraternidade de verdade exige desapego e controle do próprio ego. Onde existe fraternidade autêntica, o orgulho não tem espaço.
Com que autoridade se exige sacrifício de alguém a quem se diz que, com a morte, tudo termina? Que amanhã ele pode não ser mais do que matéria dispersa? Que motivo teria para abrir mão de algo? Não seria mais lógico tentar aproveitar ao máximo os poucos anos que lhe restam?
Daí nasce o desejo de possuir cada vez mais, para aproveitar melhor. Do desejo surge a inveja; da inveja, o impulso de tomar o que é do outro. O que impede isso? A lei? Mas a lei não alcança tudo. A consciência? O senso de dever? Em que se apoia o dever, se se acredita que tudo acaba na morte?
Quando essa ideia domina, só resta uma regra coerente: cada um por si. Fraternidade, consciência, dever, humanidade e progresso tornam-se apenas palavras bonitas.
Vocês que defendem essas ideias talvez não percebam o tamanho do mal que causam à sociedade, nem o peso das consequências que isso pode gerar. Mas falar em responsabilidade não faz sentido para quem acredita apenas na matéria, pois, para esse, responsabilidade moral não existe.
IV
O progresso humano se apoia na lei de justiça, amor e caridade, que só faz sentido com a certeza do futuro. Retirem essa certeza e a base da civilização desaba. A história mostra que, à medida que essa lei é melhor compreendida, as condições humanas melhoram.
O progresso é inevitável. As gerações se renovam, velhos preconceitos caem, barreiras entre povos diminuem, as guerras se tornam menos frequentes, a ideia de humanidade se amplia. Ainda estamos longe da perfeição, mas o movimento é contínuo. O homem quer ser feliz, e é isso que impulsiona o progresso. Quando perceber que o progresso material não basta, buscará o progresso moral. Nesse caminho, o Espiritismo surge como uma poderosa alavanca.
V
Aqueles que dizem que o Espiritismo ameaça invadir o mundo confessam, sem perceber, a sua força. Nenhuma ideia sem lógica e sem verdade se tornaria universal. O ridículo lançado sobre ele apenas acelerou sua expansão.
O Espiritismo inaugura uma nova fase da humanidade: a do progresso moral. Sua rápida difusão se explica pelo bem que produz. Ele passa por três etapas: curiosidade, reflexão e aplicação. A primeira já passou. A segunda está em curso. A terceira é inevitável.
Mesmo quem nunca presenciou fenômenos espíritas reconhece o valor de sua filosofia, que traz serenidade, segurança e sentido à vida. Quem deseja combatê-lo deve oferecer algo melhor: uma explicação mais lógica, uma esperança mais sólida, uma certeza mais profunda. Negar não basta. É preciso substituir.
VI
A força do Espiritismo não está nas manifestações materiais, mas na sua filosofia. Ele fala à razão, não exige fé cega, não se apoia em mistérios indecifráveis. Quer ser compreendido por todos.
Proibi-lo seria inútil. As manifestações não dependem de um único indivíduo. Estão em toda parte, em todos os lares, em todas as classes. Não se pode prender metade da humanidade nem queimar ideias que renascem a cada dia. O Espiritismo não é obra humana: é tão antigo quanto a própria humanidade. Sempre existiu, disperso nas religiões, especialmente no cristianismo, onde se encontra o princípio de tudo o que ele ensina: os Espíritos em todos os graus de elevação, suas relações com os homens, os anjos guardiães, a reencarnação, a emancipação da alma durante a vida e os diversos tipos de manifestação. Quanto aos demônios, são apenas os maus Espíritos: a única diferença é que a tradição os imaginou condenados a permanecer eternamente no mal, enquanto o caminho do progresso permanece aberto a todos. Hoje, o Espiritismo apenas organiza o que estava esparso, esclarece em linguagem direta o que era dito por alegorias e poda o que a superstição acrescentou, deixando só o que é real.
VII
O Espiritismo apresenta três aspectos: os fenômenos, a filosofia moral que deles decorre e a aplicação dessa moral. Daí três tipos de adeptos: os que observam os fatos, os que compreendem suas consequências e os que vivem segundo esses princípios. Em todos os casos, o resultado é uma transformação moral no sentido do bem.
Os adversários também se dividem: os que negam sem conhecer; os que combatem por interesse pessoal; e os que se sentem incomodados pela exigência moral. Nenhum deles apresenta refutação sólida. Com o tempo, essas resistências tendem a desaparecer.
VIII
O Espiritismo não traz uma moral nova: reafirma a moral do Cristo, tornando-a clara, prática e racional. Se a moral evangélica é tão sublime, por que é tão pouco praticada? Os Espíritos não apenas a repetem: mostram suas consequências, explicam sua utilidade e revelam o futuro que dela decorre.
Assim como o microscópio revelou o mundo invisível do infinitamente pequeno, o Espiritismo revela o mundo espiritual que nos envolve. Nada disso contradiz a razão ou a ciência. Ao contrário: amplia seus horizontes.
IX
As divergências iniciais são naturais em qualquer ciência nascente. Com o tempo, os erros caem, a unidade se estabelece e o essencial permanece. Aos Espíritos se perguntou: enquanto a unidade não se faz, em que pode o homem imparcial e desinteressado se basear para formar juízo?
Eles responderam:
Nuvem alguma obscurece a luz verdadeiramente pura; o diamante sem mancha é o que tem mais valor: julguem, pois, os Espíritos pela pureza de seus ensinos. Não esqueçam que, entre eles, há os que ainda não se despojaram das ideias que levaram da vida terrena. Saibam distingui-los pela linguagem que usam. Julguem-nos pelo conjunto do que dizem. Vejam se há encadeamento lógico nas ideias, se nada nelas revela ignorância, orgulho ou malevolência. A unidade se produzirá do lado em que o bem jamais esteve misturado com o mal.
Os princípios fundamentais são os mesmos por toda parte e os unirão num pensamento comum: o amor de Deus e a prática do bem. Quaisquer que sejam o modo de progressão ou as condições da existência futura, o objetivo final é um só: fazer o bem. E não há duas maneiras de fazê-lo.
As diferenças secundárias não comprometem o essencial. Não há espaço para rivalidades entre os que sinceramente buscam o progresso moral. O único antagonismo legítimo é entre o bem e o mal.
Ouçamos, para concluir, Santo Agostinho:
Por longo tempo, os homens se estraçalharam e se anatematizaram em nome de um Deus de paz e misericórdia, ofendendo-o com tal sacrilégio. O Espiritismo será o laço que um dia os unirá, porque lhes mostrará onde está a verdade e onde o erro. Julguem as doutrinas pelas obras que produzem. Os bons Espíritos jamais inspiram o assassínio, a violência, os ódios dos partidos, a sede das riquezas e das honras. Os que são bons, humanitários e benevolentes para com todos, esses são os prediletos de Jesus, porque seguem a estrada que ele indicou para chegar até ele.
SANTO AGOSTINHO.